4.6.10

Difíceis Escolhas


Ouvi outro dia alguém dizer que a gente interage com 600 objetos por dia. Quantas escolhas isso envolve? Poucas, talvez nenhuma. Uma boa parte de nossas ações não precisam mais de escolhas para acontecer. Foram automatizaas. Colocar primeiro o chinelo esquerdo ou o direito ao acordar; fazer a barba começando por que parte do rosto; por onde começar a escovar os dentes e pentear o cabelo; vestir a camisa de que jeito; e assim vai.
Talvez a primeira escolha do dia seja o café da manhã ou o almoço. Mesmo assim não demanda um esforço tão grande, envolvendo perder noites de sono ou algo do gênero.
Há decisões, no entanto, que exigem mais de nossa capacidade de raciocinar e avaliar as possibilidades e decorrências que derivarão de uma escolha. Desde o proverbial "caso ou compro uma bicicleta" até a convocação de um time de futebol existem ao menos duas estratégias de escolha: maiores ganhos ou menores perdas. Geralmente (e reforço o geralmente) quem lamenta as peras não aproveita os ganhos. Uma atitude negativa que não ajuda a nossa evolução.
Escolher bem é um processo que estamos desaprendendo por falta de hábito. Ou talvez pela força do mesmo. Decisões exigem posições claras e objetivos definidos. Mesmo que mudem depois, exigem que se tome um partido, que se escolha um lado, por meio de uma série de critérios, mais ou menos complexos.
A pílula azul ou a vermelha? Na dúvida, como você decide?

2.6.10

Noises



Em seu blog, Seth Godin definiu alguns traços de personalidade que determinam afinidades com a carreira que seguimos. Segue abaixo uma forma mais visual do texto, mantido no original em inglês. Clique para ampliar.

29.5.10

Apresente-se bem: 10 dicas básicas

Está com dificuldade para montar uma apresentação? Veja 10 dicas básicas acessando o SlideShare.

6.5.10

Detalhes


Impressionante como alguns detalhes servem para evitar que as coisas sejam feitas. E na maioria das vezes esses detalhes nem mesmo são reais. Vale a pena tomar cuidado para que o quando no início das frases sirva para definir uma data e não para esperar que uma hipótese aconteça. Não adianta atrasar o futuro: isso só cria mais passado vazio por matar o presente.

16.4.10

Mobilidade multimídia


Participação e interação são características fundamentais das tecnologias móveis, apesar de não serem exclusivas destas. As novas mídias já haviam iniciado essa revolução, que vem se tornando cada vez mais portátil. A possibilidade de expressão individual cresceu impulsionada pela capacidade de geração e distribuição de conteúdo proporcionada. Uma grande massa de leitores assumiu a função de também fornecer conteúdo através de textos, imagens, filmes e muito mais. Hoje em dia estão disponíveis mais mensagens do que somos capazes de processar. O espaço de broadcast se tornou de certa forma mais democrático. Aumentou a quantidade; a qualidade não...
Retomando a teoria da comunicação, toda mensagem tem algum tipo de invólucro para seu conteúdo, possui uma interface unindo forma e código. O projeto gráfico da interface ganha uma importância fundamental na nossa era de predominância visual. Adaptações diretas de layouts pensados para mídia impressa não tiram partido de todo o potencial disponível nas mídias digitais, especialmente no tocante à interação. Muito é perdido quando se faz isso. A possibilidade de integrar o tempo em uma composição visual permite uma liberdade ímpar na criação de interfaces e conteúdos, limitada em alguns momentos pela nossa experiência passada. O movimento pode ajudar a destacar alguns elementos da interface para reforçar seu significado ou sugerir interações.
Os Hiperlinks talvez sejam a representação mais aproximada de nosso modo de pensar. Levam de um ponto a outro do raciocínio sem escalas e muitas vezes sem volta, avançando nas descobertas de novos raciocínios. Seu uso pode enriquecer o conteúdo de um determinado texto, combinando, indexando ou acrescentando informações complementares e multimídia. O significado é composto por todos esses elementos para dar vida e contexto às mensagens. Um texto bem escrito proporciona uma leitura mais agradável. Um texto com o qual se pode interagir convida à participação e pode tornar a experiência mais envolvente e engajada.
Uma forma nova de explorar o universo que se revela diante de nós é contribuir para que possam ser criadas novas maneiras de aprender e ensinar, utilizando todo o potencial das novas mídias e novas tecnologias móveis. Este ambiente configura uma nova realidade, pressupõe o desbravamento de novas estratégias de expressão e demanda esforços de tradução e interpretação. Mesmo a simples mudança do mouse para o dedo nas telas dos devices portáteis implica em raciocínios diferentes para a elaboração da interface. Estes raciocínios devem ser desenvolvidos para atingir os objetivos desta pesquisa.
Allatonceness: o tudo ao mesmo tempo aqui e agora no qual estamos imersos modifica radicalmente os conceitos tradicionais de tempo e espaço, que acabam perdendo seus significados iniciais e ganhando um imenso potencial a ser explorado e pesquisado. No mundo da simultaneidade, podem ser retomados e relidos elementos dominantes de outras eras culturais: voz, jornal, TV, cinema. O tempo e o espaço perdem o sentido com a velocidade de transmissão e o alcance possibilitado a mensagens de todos os tipos. O nosso espaço deixa de ser visual, limitado e delimitado, voltando a ser sonoro, mais envolvente, sem barreiras perceptíveis. Mais que isso, torna-se multimídia.

Conteúdo e Interfaces


Retomando a teoria da comunicação, toda mensagem tem algum tipo de invólucro para seu conteúdo, possui uma interface unindo forma e código. Uma mensagem falada é embalada por uma voz e por uma entonação que ajuda a compreender o seu sentido. Ler um texto de qualquer jeito, como infelizmente fazem alguns diante de um PowerPoint repetindo tudo para a audiência, não ajuda a efetividade da transmissão de um conhecimento. Em nossa experiência escolar é mais fácil nos lembrarmos de professores que deixavam as aulas mais leves facilitando nossa compreensão do que dos outros. Não que os conteúdos fossem mais leves, mas a apresentação era.
Uma mensagem escrita está atrelada a uma série de signos gráficos (letras, desenhos, símbolos etc) que nos dão uma direção de leitura definida culturalmente (a despeito de alguns concretistas). O estilo da escrita (formal, rebuscado, sério ou informal, despretensioso, jocoso) é que vai ajudar a contextualizar a comunicação para transmitir a informação. Esta fronteira imposta pela primazia do visual sobre o auditivo (McLuhan) restringe a informação, o que faz com que muita gente lamente a falta de compreensão de alguns textos, que seriam facilmente entendidos por uma audiência sincronizada, ou seja, no mesmo tempo e no mesmo espaço, ouvindo a entonação de uma frase com ou sem auxílio visual de expressões faciais. O significado é composto por todos esses elementos para dar vida e contexto às mensagens. Um texto bem escrito proporciona uma leitura mais agradável.
O projeto gráfico da interface ganha uma importância fundamental na nossa era de predominância visual. Nesse ponto é necessária uma análise mais detalhada. Historicamente falando, o Web Design tem suas raízes no design gráfico tradicional. Tradicionalmente toda nova mídia inicia sua vida utilizando técnicas de mídias anteriores. Desse modo, a fotografia começou imitando a pintura até desenvolver uma linguagem própria, como já havia apontado Walter Benjamin (A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica). Eventualmente, o web design apesar de estabelecido há alguns anos ainda sofre muitas contaminações do design gráfico, com adaptações de projetos gráficos de impressão para a tela do computador. Essas adaptações copy-paste não tiram partido de todo o potencial disponível, especialmente no tocante à interação. Por adaptação deve-se entender: esqueça tudo e pense de outra forma. Mesmo a simples mudança do mouse para o dedo nas telas dos devices portáteis implica em raciocínios diferentes para a elaboração da interface.

Comer com os olhos



Por quê os restaurantes vegetarianos servem carne de soja? Seria para atrair os carnívoros? Se for esse o caso, é mais eficiente incluir um bife no cardápio. Mudando um pouco o ponto de vista, se o restaurante deve atender a um público vegetariano, porque não investir em um cardápio vegetariano diferenciado. Há uma infinidade de pães, massas, vegetais, legumes, frutas que podem ser preparadas para proporcionar uma experiência mais nutritiva e visualmente mais atraente. Comemos com os olhos também. Brócolis amarelos não deveriam existir. Precisam estar bem verdes e crocantes para conservar a sua essência.

Aplicando essa análise à comunicação, por quê a interface digital tem de seguir a interface impressa? A qual público um tipo de simulação desses se destina? Livros eletrônicos que simulam pagininhas virando são muito parecidos com a carne de soja. É para acostumar leitores mais antigos? Muito potencial é perdido quando se faz isso. Áreas para reflexões, inclusões de links, hiperlinks, notas, desenhos e tudo mais que não costuma caber nas margens do livro impresso. O que precisa ser discutida é a união de forma e conteúdo com possibilidades de mudar o conceito de leitura, não simplesmente fazer mais do mesmo, apenas transpondo a experiência. É necessária uma reinterpretação, ou citando Julio Plaza, uma tradução (Tradução Intersemiótica), para que a mensagem esteja sempre fresquinha, crocante e própria para consumo.